#140 – Fechado por motivo de futebol
Inspirado pelo saudoso Eduardo Galeano, escrevo, tentando não ser clichê, sobre não ser 'só futebol'.
🎧 Para ler ouvindo1: Nem Todo Brasileiro Que Gosta De Futebol Gosta Do Neymar, por Merda; Lam San Disco, por The Paradise Bangkok Molam International Band; La Vida Tombola, por Manu Chao.
📍 Bangkok, Tailândia
✍️ Por Matheus de Souza
Escritor e viajante. Autor de Nômade Digital, livro finalista do Prêmio Jabuti.
📝 Nota do editor
Os de mal com a vida dizem que ele é o ópio do povo, os mais exagerados dizem que é a maior invenção do ser humano. Geralmente gosto do meio termo. Um pouco de pão e de circo faz bem. Dá pra gostar de futebol, ler Dostoiévski e acompanhar politica ao mesmo tempo. Tá tudo certo.
Mas vamos exagerar. Vamos falar, empolgados pela Copa do Mundo da FIFA™, sobre a maior invenção do ser humano, o tal do futebol.
O futebol tem me proporcionado boas histórias nos últimos anos pelo simples fato de eu ter nascido no local onde ele é (ou foi) melhor praticado. Já comemorei gols do Liverpool com torcedores ingleses em Roma, já vi jogo do Hajduk Split no meio da torcida organizada na Croácia. Para um brasileiro no exterior, entender o mínimo de futebol e saber pronunciar os nomes de jogadores locais é a melhor forma de fazer amizade.
O saudoso escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor, entre outros, do maravilhoso Futebol ao Sol e à Sombra, costumava colocar um aviso na porta de casa durante a Copa do Mundo: “cerrado por fútbol”; numa tradução quase literal: fechado por motivo de futebol.
Reza a lenda que, além de não receber ninguém em casa, o único assunto permitido em conversas telefônicas (durante o intervalo dos jogos) era a Copa do Mundo. Qualquer outro papinho furado era extremamente proibido.
“Quando o Mundial começou, pendurei na porta da minha casa um cartaz que dizia: ‘Fechado por motivo de futebol’. Quando o retirei, um mês depois, eu já havia jogado 64 jogos, de cerveja na mão, sem me mover da minha poltrona preferida.”
No texto de hoje, trago trechos selecionados e cuidadosamente editados de Passageiro, o livro que um dia vocês lerão sobre minhas andanças pelo mundo. Na Tailândia, de onde escrevo essas linhas e de onde amanhã assistirei a abertura da Copa do Mundo da FIFA™, sorrio com essa lembrança de quando eu e um ex-monge tailandês, hoje professor de culinária, tornamo-nos melhores amigos durante uma tarde porque compartilhamos uma mesma memória de infância envolvendo nossos pais: um jogo amistoso entre Brasil x Tailândia em 23 de fevereiro de 2000.
1.
O cheiro. Difícil esquecer o cheiro. As cabeças dos porcos perfiladas, umas dez, são um lembrete de que o cheiro é de morte. A primeira parte da aula de culinária tailandesa consiste em escolher os ingredientes em um dos vários mercados de rua de Chiang Mai. Sonthichai, que diz para o pequeno grupo de três pessoas – eu e Mãe e Filha Inglesas da Cidade de Sheffield, cidade dos Arctic Monkeys, a minha banda favorita – chamá-lo apenas de Son, explica sobre diferentes ervas e temperos, mas o cheiro de morte me impede de prestar atenção em qualquer palavra dita pelo simpático chef e professor. Não consigo não olhar para as cabeças dos porcos. Acima delas há três ventiladores ligados com varetas plásticas penduradas nas hastes, uma gambiarra para tentar espantar as moscas. Além das cabeças, há também uma variedade de patas, tornozelos, orelhas e tripas. Muitas tripas. Ao lado do balcão da morte, um saco cheio com rãs e um outro com pequenas tartarugas, todas vivas, as rãs e as pequenas tartarugas, à espera dos seus destinos.
Em 23 de fevereiro de 2000, enquanto Son estava com os seus pais nas arquibancadas do Estádio Rajamangala, em Bangkok, assistindo o Brasil golear a Tailândia por 7x0 em partida válida pela Copa do Rei, torneio amistoso que é disputado anualmente no país desde 1968, eu estava com os meus em um depósito do Grupo Pão de Açúcar em São Paulo, tentando assistir o mesmo jogo em uma televisãozinha portátil da Bakosonic no caminhão do meu pai. O sinal era ruim e as imagens iam e voltavam. Em uma dessas voltas, vi Zé Roberto carimbar o travessão tailandês em uma bicicleta cinematográfica. Eu tinha 11 anos e era a minha primeira vez fora de Santa Catarina. Ainda lembro do meu olhar curioso ao ser acordado pela minha mãe por volta das 4h da manhã para observar os arranha-céus iluminando o horizonte. Somos de Imbituba, uma cidadezinha com pouco mais de 40 mil habitantes no litoral catarinense, onde as construções não podem ultrapassar sete andares. Meu pai foi caminhoneiro durante boa parte da sua juventude e naquele ano havia voltado para a estrada após meu avô vender o supermercado da família, onde ele era gerente e filho do chefe. Aos 51 anos, desempregado e movido por uma nostalgia dos velhos tempos (crise tardia da meia-idade?), juntou suas economias, comprou um caminhão e seguiu o seu caminho; o único caminho que aparentemente o fazia feliz.
2.
Estou na Itália durante a Copa do Mundo de 2018 e, ironicamente, a Itália não está na Copa do Mundo de 2018 – a terceira vez em sua história2, a primeira desde 1958, naquela edição em que o mundo conheceu um garoto de 17 anos chamado Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Meu pai não se recorda do ano ou do campeonato, mas em algum momento dos anos 1970 assistiu um já rodado Pelé em campo num Santos x Portuguesa que acabou sem gols. Ele acha que foi em 1973. Caminhoneiro e flamenguista, viu Zico em diversas oportunidades enquanto esteve na estrada. No Maracanã, no Mineirão, no Morumbi, no Heriberto Hülse. Jura de pés juntos que o eterno camisa 10 da Gávea jogou mais bola que o eterno camisa 10 da Vila Belmiro.
O pai de Son também prefere Zico, não o nosso Zico, mas Kiatisuk Senamuang, o Zico tailandês, maior jogador da história da Tailândia. Ele estava em campo naquele 7x0 em Bangkok e hoje em dia atua na beira do gramado, tendo treinado a seleção nacional de 2014 a 2017. Son, que viu o duelo entre o Zico tailandês e Ronaldinho in loco, prefere o Gaúcho. Baseado única e exclusivamente na minha quase inexistente experiência em estádios de futebol, prefiro Obina, aquele que a torcida flamenguista cantava ser melhor que o camaronês Samuel Eto’o, ex-parceiro de Ronaldinho no Barcelona. Nunca vi Pelé, os Zicos, Ronaldinho ou Eto’o no estádio, mas em 24 de agosto de 2008, coincidentemente aniversário do meu pai, vi, in loco, Obina empatar um jogo do Flamengo praticamente perdido contra o Internacional no Beira-Rio. Naquela tarde de agosto ele foi melhor que Eto’o – e que Pelé, e que os Zicos e que Ronaldinho.
3.
Antes de ser professor de culinária, Son foi monge budista por oito anos. No caminho entre o mercado fedendo a morte e sua propriedade, onde produz alimentos orgânicos no quintal e ensina pratos típicos do norte tailandês para turistas estrangeiros em uma cozinha estilo industrial, ele conta que foi no monastério que aprendeu a falar inglês.
A Tailândia não tem uma religião oficial, no entanto, cerca de 95% da população segue a interpretação tailandesa do budismo theravada, uma versão um pouco diferente das praticadas em outros países do Sudeste Asiático como Sri Lanka e Mianmar. Assim que completam a maioridade, aos 20 anos, os homens tailandeses de família budista devem, se possível, tornarem-se monges por um período indeterminado – o mais comum é que passem três meses nos monastérios durante a época das monções. Comento ter visto algumas crianças com as cabeças e as sobrancelhas raspadas e vestindo túnicas alaranjadas no Wat Doi Suthep, o Templo da Montanha, e Son explica que são noviços, garotos que são enviados por suas famílias aos templos para terem acesso à uma boa educação e fazer mérito.
A ideia de fazer mérito no budismo tailandês está ligada ao karma. Faça coisas boas e boas coisas acontecem. Ter um filho monge é o maior mérito para um casal, a garantia de uma vida feliz para a família na próxima encarnação. Aqueles que não tem um filho homem – uma lei de 1928 impede que mulheres dediquem-se à atividade monástica – podem patrocinar um candidato à ordenação, garantindo assim méritos, um bom karma e um lugarzinho no céu.
4.
Todos os dias, às 6h da manhã, milhares de monges e noviços tailandeses deixam os mais de 40 mil templos espalhados pelo país carregando seus alguidares de metal para pedir comida para o café da manhã, uma tradição que remonta aos tempos de Buda, há mais de 2.500 anos. É dever da população budista alimentá-los. Acordo antes de o sol nascer para fazer mérito e garantir o meu lugarzinho no céu. Son me aconselha a comprar frutas e água. Há uma epidemia de obesidade entre os monges que, de acordo com a tradição budista, devem aceitar todas as oferendas.
Supostamente para ganhar mais méritos, muitos tailandeses têm trocado alimentos baratos e nutritivos como frutas e legumes por porcarias industrializadas made in USA que custam uns trocados a mais. Nos supermercados, há prateleiras inteiras dedicadas ao café da manhã dos monges, com cestas amarelas cheias de saquinhos de batatas chips e outros snacks. As oferendas muito calóricas, repletas de sal ou açúcar, têm sido apontadas como responsáveis pelo aumento do número de casos de hipertensão e diabetes entre o clero budista tailandês. O Ministério da Saúde da Tailândia tem tentado conscientizar os monges sobre a importância de uma dieta mais saudável. Em Bangkok, em um hospital voltado para monges, um cartaz na recepção diz: “a água é a melhor bebida”. Há um outro que mostra uma lista das bebidas açucaradas mais vendidas e o correspondente em açúcar contido nelas. “Devem consumir menos de seis colheres de açúcar por dia”. Além de serem obrigados a aceitar todas as oferendas, os monges não podem praticar esportes, o que tem dificultado a ação do Ministério.
Sabendo de tudo isso e não querendo entupir as veias dos monges tailandeses, deposito três bananas, duas maçãs e uma garrafa plástica com 500ml de água no alguidar de metal de um Jovem e Esguio Monge. Imagino que ele esteja há pouco tempo no monastério. O Jovem e Esguio Monge faz algumas preces em tailandês, kop khun krap, agradeço em tailandês juntando as palmas das mãos e inclinando o corpo para frente, da maneira como fui ensinado por Son, e ele segue o seu caminho até ser parado por uma senhorinha que lhe oferece um pacote de batata Lay’s e uma latinha de Coca-Cola.
5.
“No Brasil, vocês gostam de Coca-Cola?”
“Sim. Mas temos o nosso próprio refrigerante, o Guaraná, feito à base de uma planta típica da Amazônia.”
“Gua-ra-naaah?”
“Isso. Perfeito.”
“No Brasil, vocês gostam de uísque?”
“Meu pai gosta muito. Meu avô também gostava. Eu gosto, mas bebo lá uma vez ou outra. A bebida típica do Brasil é a cachaça. Meu outro avô, que é pescador, gosta muito de cachaça. Você já ouviu falar em kai-pee-reen-ya?” – falo de um jeito americanizado. “É um drinque feito com cachaça.”
“Não. Como é? Ka-shah-saaah?”
“Isso. É um destilado.”
“Espera um pouco.”
Enquanto preparo meu tom yum goong, uma sopa de camarões ácida e picante, Son volta com uma garrafa de lao khao, um uísque de arroz muito apreciado entre a população rural devido ao seu baixo custo e o forte teor alcoólico. Uma garrafa grande custa menos de dez reais. Ele serve duas doses. Mãe e Filha Inglesas da Cidade de Sheffield olham curiosas, Son aponta para a garrafa e pergunta se elas querem experimentar e a Mãe, como interlocutora da dupla, responde educadamente que não.
“Isso é combustível de foguete. Toma.”
“Como se brinda em tailandês?”
“Chon gaew, que significa literalmente bater os copos, ou chai yooooo” – Son exagera no “o” –, “que significa o mesmo que cheers”.
“Gostei mais do segundo. Chai yooooo!”
Jogo a bebida no fundo da garganta em uma tentativa de não sentir o gosto forte do lao khao, mas é impossível. Ele desce queimando. Meus lábios adormecem e sou acometido por uma espécie de descarga elétrica no estômago. Logo todo o meu rosto está dormente. Son serve mais duas doses.
“Mais uma. Toma.” – diz com um sorriso no rosto e os olhos semicerrados.
“Chai yooooo!”
Mãe e Filha Inglesas da Cidade de Sheffield riem alto.
“Você vai ficar bêbado.” – a Mãe constata o óbvio.
Fico bêbado. Sinto a língua enrolada, o suor escorrendo, os cabelos grudados na nuca e na testa. Viajo com a música que está tocando nos alto-falantes da cozinha, um funk psicodélico tailandês dos anos 1970 que certamente deve ter influenciado o Khruangbin. Volto a si e peço ajuda com a minha tigela de tom yum goong, não antes de Son servir mais uma dose, dessa vez só para mim. Fico constrangido em recusar.
“No Brasil, vocês gostam de pimenta?”
“Sim.” – nessa altura já sinto dificuldade em responder algo mais elaborado em inglês.
“Vou pegar uma especial na horta. Espera um pouco. Toma.” – ele serve mais uma dose.
Analiso a situação e fico com um sorriso bobo no canto do rosto. Estou em um vilarejo nos arredores de Chiang Mai, no norte da Tailândia, bebendo combustível de foguete com um ex-monge fã de Ronaldinho durante uma aula de culinária tailandesa na companhia de Mãe e Filha Inglesas da Cidade de Sheffield, cidade dos Arctic Monkeys, a minha banda favorita. Sonhei tanto com momentos como este, não exatamente este momento devido à sua evidente aleatoriedade, mas momentos de descoberta de novos cheiros e sabores em culturas distantes, de compartilhamento de experiências com pessoas que nasceram em uma realidade completamente diferente da minha. Li o Almanaque Abril 1998 vezes suficientes para saber que o mundo era maior que Imbituba, que havia muito a ser visto fora da minha bolha, mas eu queria ver isso com os meus próprios olhos, olhos curiosos de criança, e cá estou, virando mais uma dose de combustível de foguete, agora já acostumado com o gosto agridoce, sentindo o cheiro de camarões cozinhando na wok, não os camarões pescados pelo meu avô na lagoa da Ibiraquera, mas camarões pescados por algum tailandês em algum lugar da Tailândia, será que eles utilizam tarrafa por aqui?, imerso na trilha sonora que sai dos alto-falantes da cozinha, Lam Sam Disco, faixa 6 do álbum 21st Century Molam do coletivo The Paradise Bangkok Molan International Band, segundo o Shazam, enquanto Son me mostra orgulhoso a pimenta verde que acabara de colher em sua horta.
“Para o seu tom yum goong. Tome cuidado no preparo porque ela é muito forte. Ela é apenas para dar um gosto no caldo, você não deve comê-la. Coloque metade na wok.”
6.
Estamos reunidos em uma mesa no jardim. Mãe e Filha Inglesas da Cidade de Sheffield sentadas de um lado, Son e eu do outro.
Em minha defesa, ainda que essa esteja longe de ser uma boa defesa, minha bancada estava bagunçada e eu estava bêbado de uísque de arroz, de modo que, sem querer, coloquei a pimenta verde inteira na wok, sem cortá-la, junto com o capim-limão.
Ao provar o meu tom yum goong, já sem conseguir distinguir o quê era o quê, coloco a pimenta inteira na boca e mastigo. É difícil descrever o que senti. Eu adoro pimenta. O sabor ardente, as sensações físicas provocadas após a sua ingestão, a produção de endorfina. Mas isso é diferente. Isso eu nunca havia sentido. Mastigo a pimenta inteira pensando ser um vegetal qualquer, talvez o capim-limão, e imediatamente meu nariz começa a escorrer, um fluxo intenso, como se eu estivesse mijando pelas narinas, os lábios inflamam, os globos oculares incham até ficarem do tamanho de duas bolas de golfe, ou pelo menos essa é a sensação, lágrimas escorrem e misturam-se ao ranho, formando uma gosma nojenta que gruda em minha camisa já ensopada de suor. Incrédulo com a cena que acabara de presenciar, Son corre para pegar um copo de leite na cozinha enquanto Mãe e Filha Inglesas da Cidade de Sheffield me oferecem um lenço e Coca-Cola. Dou um gole na bebida açucarada, lembro que “a água é a melhor bebida” e uso o lenço para secar o rosto. O incidente parece ter cortado o efeito do álcool.
“Você pode ficar com ele.” – diz a Mãe.
Son surge como uma aparição e me entrega um copo de leite.
“Toma. Eu avisei para ter cuidado.”
7.
A Tailândia é um ataque aos sentidos: os aromas e odores das barraquinhas de rua; o barulho dos tuk-tuks; o calor fumegante; o uísque de arroz que deixa o rosto dormente; a pimenta verde que te faz mijar pelo nariz; os painéis de neon que cegam os olhos – e que sempre escondem algo. Um país de extremos, dos super ricos que frequentam o Siam Paragon em Bangkok, um mega complexo de aço e vidro que abriga centenas de lojas de marcas de luxo, aos trabalhadores rurais nos arredores de Chiang Mai, que vivem das suas plantações de arroz e oferecem diariamente o pouco que tem aos monges budistas.
Eu nunca dei importância para a culinária em si até pisar na Tailândia. Para mim, até então, comer era uma atividade banal como outra qualquer do dia a dia; escovar os dentes, tomar banho ou trocar de roupa. Coisas que você faz no automático. Comer na Tailândia, no entanto, é uma experiência sensorial, uma exploração de uma cultura rica e multifacetada de sabores, temperos e molhos que misturam o doce, o azedo e o picante, um acúmulo gradual de dor e prazer, uma inundação de endorfina. Esqueça aquela imagem estereotipada da Khao San Road, a rua dos mochileiros em Bangkok, com turistas bobalhões comendo espetinhos de escorpião ou outros insetos – sim, eu já fui um desses turistas bobalhões; aos curiosos, o espetinho de escorpião tem gosto de Doritos. A culinária tailandesa em nada tem a ver com isso.
Após o que ficou conhecido como O Incidente do Tom Yum Goong, Son nos avisa que Tien, sua esposa, está preparando khao soi, prato tradicional da culinária do norte da Tailândia.
“Uma recompensa ao esforço de vocês na cozinha. Pedi para Tien colocar só um molho de pimenta, nada de pimenta verde.” – diz, arrancando risinhos de Mãe e Filha Inglesas da Cidade de Sheffield.
“Obrigado pela gentileza, Son.” – respondo constrangido.
“No Brasil, vocês têm religião?”
“A maioria da população é católica. Minha família é católica, mas hoje em dia me considero agnóstico.” – fico com vergonha de dizer que sou ateu. “Não sigo uma religião, mas acredito em algo maior. Quer dizer, espero que haja algo maior.”
“Você já ouviu falar no monk chat? É um bate-papo com os monges nos templos. Sem compromisso. Só troca de experiências entre os turistas estrangeiros e os monges. Foi assim que aprendi a falar inglês.”
“Posso perguntar coisas do tipo qual o sentido da vida?”
Tien serve o khao soi cơm molho de pimenta.
“Pode. Mas você também pode falar sobre futebol.”
🎥 PassageiroTV
Em março de 2025, oito anos após o Incidente do Tom Yum Goong, finalmente tive coragem de perguntar “qual o sentido da vida?” para um monge tailandês.
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Menção ao seu projeto na minha newsletter.
🎶 Manu Chao + Diego Armando Maradona
Encerro a edição de hoje com esse vídeo de Manu Chao tocando La Vida Tombola para Maradona.
Definitivamente não é só futebol.
Você sabia que esta newsletter tem uma playlist no Spotify com todas as músicas indicadas aqui? Pois é. A Rádio Passageiro é atualizada semanalmente.
Ok, quando escrevi isso não sabia que a Itália também ficaria fora em 2022 (curiosidade: em 2022 eu também estava na Itália durante a Copa do Mundo) e 2026.





Tava indo dormir (são meia noite aqui na Coreia) mas vi a notificação do Substack e não resisti. Que texto gostoso, que meu deu fome, e me fez lembrar de várias coisas. Uma das partes mais deliciosas de ser brasileira pelo mundo são as conexões mediadas pelo futebol. Já fiz amigos pelo globo por dúzias e dúzias de motivos diferentes, mas os momentos que compartilhei porque trombei com alguém que tem amor e respeito pelo jogo bonito e pela seleção canarinho… Mesmo hoje em dia, em tempos de Brazil-core pelo mundo, no meio do desastre estético que segue devastando tudo que tem alguma importância nessa era… Enfim.
Por mais anedotas no Passageiro News 🗣️ Amei, amei, amigo!