Considere assinar um dos planos pagos da newsletter Passageiro para ter acesso a textos exclusivos e outros bônus – incluindo encontros mensais com convidados do mais alto calibre (já passaram pelo Clube Passageiro nomes como Carol Bensimon, J.P. Cuenca, Pe Lu, Tira do Papel, Arthur Miller, No Plans For Tomorrow, Fabiane Guimarães, entre outros).
No próximo dia 19, 18h30 de Brasília, recebo Dimitri Vieira, da newsletter Escreva sua Marca, para um papo sobre escrever para os outros: a carreira de ghost writer.
Não poderá participar ao vivo? Relaxa, o encontro ficará gravado.
🎧 Para ler ouvindo1: 백두의 소환, por 구룡2.
📍 Pyongyang, Coreia do Norte
✍️ Por Matheus de Souza
Escritor e viajante. Autor de Nômade Digital, livro finalista do Prêmio Jabuti.
🇰🇵 Leia a primeira parte de Medo e Delírio em Pyongyang neste link.
1.
“Uma maratona? Na Coreia do Norte? Sério?”, o tipo de reação que tenho recebido nos últimos meses ao comentar com amigos, conhecidos ou estranhos sobre a maratona que eu correria em Pyongyang, a capital norte-coreana. “Correria”, no passado, porque na manhã desta segunda-feira (09), a DPR Korea Athletics Association anunciou o cancelamento da prova que aconteceria em 05 de abril; “due to some reasons3”, limitou-se a dizer o comunicado enviado por e-mail aos atletas.
2.
A Coreia do Norte está fechada para o turismo desde o início da pandemia de Covid-19 e, atualmente, a única maneira de entrar no país é com um… visto de atleta que, tecnicamente, não é exatamente um visto, mas uma espécie de convite da DPR Korea Athletics Association para que atletas amadores estrangeiros participem da Maratona de Pyongyang4.
Devo confessar que, ainda que tenha praticado alguns esportes na adolescência, hoje, prestes a completar 37 anos, não possuo exatamente um histórico de atleta; mais que isso: nunca corri uma maratona.
Ok, tecnicamente eu não correria uma maratona.
E aqui vou copiar e colar a explicação que escrevi na edição anterior de Medo e Delírio em…:
Aos leigos: maratona é uma corrida de 42 quilômetros; a meia-maratona tem 21; e aí tem a mamão com açúcar, 10 ou 5, mas uso o termo “maratona” como uma forma mais simples de entendimento: é uma corrida. A pé. Neste caso, pela capital da Coreia do Norte.
Correrei os 10 quilômetros – 5 é pouco para uma empreitada do tipo, 21 é muito; 42 é impensável – pela… Coreia. Do. Norte.
3.
“5 é pouco para uma empreitada do tipo”, percebo logo no primeiro treino, em dezembro do ano passado, que talvez eu tenha subestimado os 5 quilômetros – devo dizer que o calor do verão catarinense também não ajudou. Na primeira sessão, desisto assim que o relógio marca 2,5 quilômetros. Na segunda, chego aos 4. Apenas na terceira consigo bater os 5; em 33min48s e um pace de 6:45/km. Sinto vontade de vomitar.
4.
A edição de 2025 da Maratona de Pyongyang, a primeira após a pandemia de Covid-19 que levou ao cancelamento da prova entre 2020 e 2024, atraiu mais de 500 participantes, incluindo aproximadamente 200 estrangeiros de cerca de 40 países diferentes.
Em 2026, segundo apurei, nove brasileiros – contando comigo – participariam da corrida.
Esse “segundo apurei”, inclusive, poderia ter colocado em risco a minha entrada na Coreia do Norte antes do cancelamento anunciado hoje. Explico.
Minha ideia inicial quando divulguei que participaria da Maratona era compartilhar com vocês algumas entradas públicas de diário à la Emmanuel Carrère, um negócio meio jornalismo literário contando sobre os treinos, a preparação, os bastidores e o encontro com os outros atletas na China (o ponto de partida da viagem) até o grande dia em Pyongyang para, futuramente, juntar tudo num livro sobre a experiência, mas assim que recebi dos organizadores um documento entitulado "NOTAS PARA VIAJANTES”, uma espécie de “o que você pode e o que você não pode fazer na Coreia do Norte”, percebi que talvez isso não fosse uma boa ideia – não antes da viagem, pelo menos. E eu estava certo.
O documento diz que “as leis da Coreia do Norte proíbem a entrada de jornalistas e fotógrafos sem vistos especiais de jornalismo.”
A agência responsável pela viagem diz que “não faz as leis”, mas “seu trabalho é sujeito às leis da Coreia do Norte”, de modo que, segundo eles, “se um jornalista ou fotógrafo tentar entrar como atleta na Maratona de Pyongyang, a agência pode ser impedida de organizar viagens para o país – o que aconteceu durante 9 meses em 1997 quando um jornalista entrou na Coreia do Norte disfarçado como atleta.”
Como pretendo participar da Maratona de Pyongyang em 2027 (caso o mundo ainda existe até lá), não entrarei em muitos detalhes de forma pública – pretendo fazer isso em edições extras da newsletter apenas para os assinantes pagos ao longo do ano –, mas o que posso revelar hoje é: os vistos para a Coreia do Norte são emitidos na véspera da entrada no país, ou seja, eu já estaria na China; a agência em questão é quem envia os passaportes para a Coreia do Norte, de modo que, devido ao problema ocorrido em 1997, eles pesquisam as identidades dos atletas-viajantes para evitar futuras tretas (para eles mesmos) com o Líder Supremo; ainda que eu não seja jornalista (nem fotógrafo), o pessoal da agência encontrou a newsletter (e minha tentativa de jornalismo literário em Medo e Delírio…) e, mais que isso, um artigo da Wikipedia que diz que colaboro com a Folha de S.Paulo em uma coluna sobre nomadismo digital; o pessoal da agência pesquisou do se trata a tal Folha de S.Paulo e deduziu que… sou um jornalista disfarçado.
Explico a confusão, que 1) sou escritor, não jornalista e 2) que não escrevo para o jornal há anos, ficamos de conversar mais uma vez, e aí vem o cancelamento da Maratona. Nas palavras do pessoal da agência, “ainda que a gente acredite em você e você tenha nos mostrado evidências suficientes para tal, não somos nós que decidimos sobre o visto, você pode chegar na China e ter seu visto negado – e neste caso não poderemos reembolsá-lo.”
5.
Este texto se autodestruirá em 1 mês, ou melhor, colocarei uma barreira em forma de paywall para que futuramente ele não possa ser encontrado em mecanismos de buscas, mas para 2027 ainda preciso dar um jeito nesse negócio da Wikipedia – alguém?! – ou minha entrada na Coreia do Norte como atleta estará em risco.
A boa notícia nisso tudo é que terei mais tempo para treinar – hoje seria o primeiro dia em que eu tentaria correr os 10 quilômetros; choveu.
6.
Não pensem, no entanto, que não teremos Medo e Delírio… em 2026.
Se fronteiras estiverem abertas e homens brancos idosos não começarem novas guerras, o segundo semestre promete uma viagem de carona cruzando o deserto de um país africano. Carona de trem. Um trem de carga. Um trem carregando carvão.
💰 Mentoria Monetize
Com o cancelamento da Maratona e, consequentemente, o cancelamento de mais uma temporada na Ásia, terei muito tempo livre, de modo que resolvi abrir mais cinco vagas para a Monetize (preciso financiar as aventuras de Medo e Delírio…), uma mentoria para você que cansou de ver a vida passar pela janela de um escritório.
A Mentoria Monetize é para quem tem um projeto (ou uma ideia de projeto) e busca monetizar o seu conhecimento/conteúdo.
Se você é familiarizado com o meu trabalho, já deve ter percebido que não tolero bullshitagem, de modo que durante a Mentoria buscaremos, juntos, formas realistas para você ganhar dinheiro na internet sem precisar romper com os seus valores pessoais.
Durante 6 meses você terá acesso ao meu cérebro; e às estratégias que utilizo e/ou já utilizei para vender o meu conhecimento/conteúdo na internet.
Mais que isso: durante 6 meses você verá que existe espaço para todo mundo, que seu nicho não está saturado, que você não precisa ser influenciador para ganhar dinheiro na internet, que você não precisa fazer o que todo mundo está fazendo e, principalmente, que existe vida online além do Tik Tok e do Instagram.
E, se você me permite um clichê, durante 6 meses vou te ajudar a pensar fora da caixa.
💰 A Mentoria Monetize na prática
6 encontros online de 1h30min cada (1 por mês durante 6 meses; você pode escolher as datas e os horários de acordo com a minha agenda – que é bem flexível);
Acesso às gravações dos encontros por 12 meses;
Suporte individual via WhatsApp;
Curadoria de links, livros e ferramentas;
Menção ao seu projeto na minha newsletter;
Não é “gatilho da escassez“, mas são apenas 5 vagas (dessa forma consigo oferecer um serviço ainda mais personalizado para você).
🎓 Cursos com inscrições abertas
💌 Newsletter de Sucesso
– Neste novo curso da Passageiro Academy, descubra como chegar aos 1.000 assinantes e superar o desafio das 21 edições, criando um projeto consistente e de sucesso no mercado. (infos aqui)
✍️ Escrita Criativa
– Desenvolva seu processo criativo e rompa bloqueios mentais – sem o auxílio de inteligência artificial. (infos aqui)
🎒 Escrita de Viagem
– Faça seus leitores viajarem com você. (infos aqui)
☠️ Faça (Você Mesmo)
– Monetize o seu conhecimento e crie um negócio sustentável de uma pessoa só; e sem surtar. (infos aqui)
🧠 Para ler, assistir e ouvir
Estou alternando a leitura de dois livros de não ficção e curtindo muito ambos: O adversário, do Emmanuel Carrère; Pão dos anjos, da Patti Smith.
7 escritoras contemporâneas para conhecer; lista da Editora Instante.
Tarde demais para ter medo, um texto da Fabiane Guimarães sobre vulnerabilidade e exposição.
O Luri Ribeiro cansou de ser perfeito (e voltou a criar).
O Arthur Miller fez uma série de vídeos cinematográficos sobre uma viagem de carro que cruzou 6 países em 6 dias. Aqui tá o vídeo 1; os outros você encontra sem muito esforço no canal dele.
Tô assistindo uma série muito boa com o Ethan Hawke no Disney+: Verdade oculta.
Álbuns que tenho ouvido por aqui: TANTAS FORMAS DE DIZER ADEUS, da Clarissa; The Mountain, do Gorillaz.
Você sabia que esta newsletter tem uma playlist no Spotify com todas as músicas indicadas aqui? Pois é. A Rádio Passageiro é atualizada semanalmente.
구룡 (Gulyong; ou Kowloon na forma ocidentalizada) é, supostamente, uma banda de black metal norte-coreana. Tem matéria sobre eles (em inglês) aqui.
“Devido a algumas razões”, na tradução mais comum para o português.
O evento, que teve sua primeira edição em 1981 e anteriormente era chamado de Maratona Internacional Prêmio Manggyondae, acontece anualmente em abril durante o Dia do Sol, feriado que celebra o nascimento de Kim Il Sung – avô de Kim Jong-un e primeiro “Líder Supremo” da Coreia do Norte.






“There’s no such thing as bad publicity” nunca pareceu tão errado 😂
Sempre um prazer te ler, Matheus!
Você vai pra Mauritânia? que legal!!!
Cara, que maneiro! Toda vez que abro uma news tua, me surpreendo e vale muito, muito, muito a pena. Teus rolês são os mais legais e aleatórios do planeta! que bom que te acompanho daqui haha.
Maratona cancelada 26 (vai treinar!!!) e na torcida pela Maratona e notícias 27!