#133 – Mudar: Método
Duas vezes me mudei para Paris; duas vezes por amor.
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Na próxima quinta (26), 18h30 de Brasília, recebo Dimitri Vieira, da newsletter Escreva sua Marca, para um papo sobre escrever para os outros: a carreira de ghost writer.
Não poderá participar ao vivo? Relaxa, o encontro ficará gravado.
🎧 Para ler ouvindo1: M.T.M.E., por Alexandra Savior; Solide Solitude, por Verlo.
📍 Paris, França
✍️ Por Matheus de Souza
Escritor e viajante. Autor de Nômade Digital, livro finalista do Prêmio Jabuti.
1.
Édouard Louis nasceu Eddy Bellegueule em Picardy, uma vila operária no norte da França; Édouard Louis, um dos nomes mais importantes da literatura francesa contemporânea, nasceu em Paris.
“Pensei: Agora aqui é sua casa. Você mora em Paris. Tudo pode começar.
Fui caminhar pelas ruas e observava as pessoas à minha volta. Eu dizia para mim mesmo que morava naquela cidade, como elas, aquelas pessoas que eu via alguns meses antes se deslocando pelas ruas de Paris com suas sacolas de compras e que eu invejava, cuja vida eu tentava adivinhar, agora eu fazia parte dela, e de fora era possível acreditar que eu sempre fizera parte dessa vida, talvez alguém pudesse também me invejar. Quando voltei ao apartamento, peguei uma folha de papel e anotei a programação para minha vida futura:
Mudar meu nome (ir ao cartório?), Mudar meu rosto, Mudar minha pele (tatuagem?), Ler (tornar-me outra pessoa, escrever), Mudar meu corpo, Mudar meus hábitos, Mudar minha vida (me tornar alguém).”
(Édouard Louis em Mudar: Método)
2.
Duas vezes me mudei para Paris; duas vezes por amor; 1) por uma mulher e 2) por uma ideia: a ideia de ser um escritor em Paris.
3.
Decidi: viverei de literatura. Quando li Mudar: Método, de Édouard Louis, em meados de 2025, enfrentava um divórcio. Mais do que o fim da relação homem-mulher, deixava para trás também uma cidade; não fazia sentido continuar morando em Paris; até fazer novamente.
4.
Troco Pigalle pelo Quartier Latin; o 9º pelo 5º. Faço o cartão da biblioteca Sainte-Geneviève e me vejo escrevendo em meio a estudantes da Sorbonne e da École Normale Supérieure – onde Eddy Bellegueule e Édouard Louis estudaram. Em Mudar: Método, Édouard Louis cita várias vezes idas à biblioteca para trabalhar. A biblioteca, suponho, é a Sainte-Geneviève.
Sinto-me um garoto do interior no primeiro dia de aula na cidade grande. Tenho dificuldades para usar a máquina automática de lanches e bebidas e sou auxiliado por uma estudante; uma outra me ensina a usar o cartão no leitor da catraca; estudantes membros do Partido Comunista me abordam na saída da biblioteca – eles buscam voluntários para uma ação social de distribuição de alimentos; percebo que tenho idade para ser pai deles – caso tivesse engravidado minha primeira namorada na adolescência.
5.
É primavera em Paris e bares e cafés estão cheios; os mesmos estudantes que vi mais cedo na biblioteca Sainte-Geneviève agora tomam pints de 3,90 euros no happy hour – bem mais barato que os 6 euros que eu estava acostumado em Pigalle.
À noite, numa baladinha, percebo que, apesar de viverem no Quartier Latin, les falta sazón, como diria certo Benito Antonio Martínez Ocasio.
6.
O romance tailandês está cada vez mais com cara de romance francês; não por temática, mas por estilo e estrutura. Tenho lido muito Emmanuel Carrère e Michel Houellebecq – o último tentando separar o autor da obra.
Na próxima quinta (26), escrevei sobre isso em Há Algo de Podre no Reino da Tailândia, edição extra que os assinantes pagos desta Passageiro recebem de tempos em tempos.
O prazo para escrever o livro está acabando. ⏳
7.
Mudei meu cabelo.
8.
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🧠 Para ler, assistir e ouvir
“Eu ainda não cheguei”; esse texto da Yna Marson na Comadreria sobre o cansaço de resistir ser quem nos tornamos.
“A vida em suspenso”; esse texto em que a Fabiane Guimarães dá satisfaçoes sobre as suas síncopes.
“O sucesso das pessoas não é o nosso fracasso”; esse texto da ly takai sobre a raiva que às vezes nasce da inveja.
Serotonina, do Michel Houellebecq, é irritantemente bom.
O Arthur Miller construiu o estúdio dos sonhos dele e fiquei aqui sonhando em quando construirei o meu.
Tenho ouvido bastante: Générique, da Verlo; Jaago, do Lifafa; Belladonna of Sadness, da Alexandra Savior.
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