#131 – Como eu faturei R$ 1 milhão vendendo cursos online
Calma, não é clickbait; mas quero te mostrar Números & Narrativas; e, claro, te vender um curso – quem sabe até uma mentoria.
Para ler ouvindo1: Dracula (Remix), por Tame Impala & JENNIE.

📝 Nota do editor
Desde que esta Passageiro foi lançada em 2022, tenho tido a chance de trocar ideia com outros escritores e escritoras sobre as Delícias & Desafios do ofício. Talvez por ter um passado não muito distante no marketing, percebi cedo que hoje o trabalho de quem escreve não resume-se mais a escrita em si; num dos textos mais lidos desta newsletter, faço um apelo a quem escreve: tenha visão de negócios (spoiler: você não vai viver de newsletter; nem de livros).
Escrever sobre negócios não está exatamente na linha editorial de Passageiro, criei uma segunda newsletter (atualmente abandonada; volta em breve) para falar sobre o tema, mas como estamos no começo de mais um ano, Carnaval logo ali, resolvi enviar uma edição extra enquanto sigo trabalhando em meu primeiro romance e treinando para uma maratona na Coreia do Norte (!).
As linhas abaixo foram “requentadas” de um texto publicado originalmente em Faça (Você Mesmo), onde conto sobre como os cursos online tornaram-se uma das minhas principais fontes de renda de 2017 para cá – e como dá para entrar nesse mercado sem apelar para “gatilhos mentais” e outras charlatanices.
1.
Vamos começar do começo; vamos trazer um pouco de contexto.
De acordo com o blog da Conta Azul, Faturamento é:
“(…) o valor total obtido com as vendas de produtos e/ou serviços na empresa em um determinado período, sem considerar os custos.
Ou seja: é todo o dinheiro que entra do caixa do negócio a partir de sua atividade comercial, seja a prestação de serviços ou venda de mercadorias.
Por exemplo, se a sua loja vendeu 400 produtos a R$ 50,00, o faturamento do mês foi de R$ 20 mil.”
2.
A primeira vez que ouvi falar em infoprodutos foi em 2015. Um desses gurus do marketing digital importou uma Fórmula do exterior garantindo que, seguindo seus passos, qualquer pessoa com algum conhecimento específico seria capaz de fazer um “6 em 7” – 6 dígitos em 7 dias, como ele costuma dizer; ou seja, segundo o cara, uma pessoa muito boa em algo que outras pessoas queiram aprender é capaz de ganhar, no mínimo, R$ 100 mil em 7 dias vendendo um curso online.
A questão é: R$ 100 mil de Faturamento ou de Receita Líquida?
3.
2020, o primeiro ano da pandemia, foi responsável por uma bela alavancada no mercado de infoprodutos. Quem aqui não comprou pelo menos um curso online que seja? – e não assistiu as aulas?
Foi mais ou menos nessa época que popularizou-se o estereótipo do Guru Vendedor de Curso.
Guru Vendedor de Curso – [Exp. Adj.]: Segundo o panléxico, é denominado “Guru Vendedor de Curso” o tipo de profissional especialista em determinada área cujo maior feito é justamente vender cursos sobre sua suposta especialidade; ele é seu próprio case de sucesso. Para o “Guru Vendedor de Curso” clássico, faz-se mister publicar em suas redes sociais capturas de tela com seus ganhos na Hotmart – ou plataformas similares –, vídeos que mostrem notificações de “Venda Realizada” em seus iPhones e, preferencialmente, click baits e gatilhos mentais sobre como o “Guru Vendedor de Curso” faturou R$ 1 milhão ou mais com seus infoprodutos. Alguns lexicógrafos ainda incluem em suas definições acordar às 5h da manhã, tomar banhos gelados, alugar carros e mansões de luxo para promover um falso estilo de vida de ostentação, filmar-se como se estivesse participando de um podcast para gerar autoridade e ler livros de autoajuda como “Pai Rico, Pai Pobre” e “Café com Deus Pai”.2
4.
O leitor mais atento deve estar com uma pulga atrás da orelha. Mas ele não está fazendo exatamente o que critica? E o título do texto? E esse print da Hotmart? Não seria ele também um Guru Vendedor de Curso?
Seguimos com mais um pouco de contexto.
Em uma das edições de Faça (Você Mesmo) contei como, em 2016, fiz meu nome no LinkedIn ao sair na primeira lista de Top Voices da rede profissional. Tal feito gerou uma demanda inesperada em minha caixa de entrada: outros profissionais que também gostariam de fazer seus nomes no LinkedIn, mas não tinham habilidade com a nobre arte da escrita (o ChatGPT ainda não existia), queriam me contratar para escrever para eles; nascia aí um serviço de ghostwriter de LinkedIn. Eu, que já tinha experiência como redator freelancer, escrevendo principalmente para blogs de empresas – numa época em que SEO no Google era algo relevante –, enxerguei com bons olhos essa oportunidade de ter uma nova fonte de renda.
Os freelas como redator e ghostwriter iam de vento e popa, mas com um porém: para garantir a qualidade do serviço, era possível atender apenas um número reduzido de clientes; além disso, eu estava planejando cair na estrada e ter minhas primeiras experiências como nômade digital, de modo que o fuso horário eventualmente poderia se tornar um problema; eu precisava pensar em um produto escalável que não dependesse da minha agenda.
Nessa época eu acompanhava – com certo receio – o trabalho do tal guru de marketing digital que importou uma Fórmula do exterior. Com “certo receio” porque, apesar de entender a lógica por trás – lembro que ele sempre falou sobre a importância de coletar os e-mails das pessoas; é por isso que criei minha primeira newsletter em 2015 –, eu não engolia as narrativas, isto é, o modus operandi da parada – ele exalava charlatanismo.
Após essa experiência como ghostwriter no LinkedIn, em que pude validar minhas estratégias na rede deixando de eu mesmo ser meu próprio case de sucesso, entendi que criar um curso online em que eu pudesse ensinar aquilo que aplicava poderia ser esse meu produto escalável; o problema é: eu morria de medo de lançar um curso e ser visto como charlatão.
5.
O tal guru de marketing digital que importou uma Fórmula do exterior costumava dizer “e se estiver com medo, vai com medo mesmo” e “daqui a um ano, você vai desejar ter começado hoje” – essa última frase já usei várias vezes em meus conteúdos de venda.
Fui com medo mesmo. Um ano se passou. Dois anos se passaram. Três. Quatro. Já são quase dez desde o lançamento do meu curso de Marketing Pessoal e Produção de Conteúdo no LinkedIn (que ficou no ar entre 2017 a 2022). Nunca fiz um 6 em 7, mas de 2017 para cá faturei mais de R$ 1 milhão com infoprodutos; e meu ponto com esse texto é justamente esse: falar sobre Números & Narrativas.
Minha primeira reação ao bater esse número na Hotmart foi pensar “pra onde foi todo esse dinheiro?”, mas a verdade é que não tenho nem nunca tive R$ 1 milhão na minha conta bancária.
Embora a captura de tela da Hotmart mostre o termo Receita Líquida, esse pouco mais de R$ 1 milhão que fiz de 2017 para cá é Faturamento – e mais: o valor que aparece em “Você Recebeu” em cada venda já está com a porcentagem da Hotmart embutida, porém, na hora de gerar as Notas Fiscais, o imposto pago pela Matheus de Souza LTDA é em cima do valor pago pelo cliente – ou seja, de porcentagem em porcentagem, de imposto em imposto, o montante do Faturamento vai diminuindo.
Isso sem falar em outros custos: hospedagem do site, ferramentas que utilizo no meu negócio (e-mail marketing, pacote Adobe, entre outras), contabilidade, endereço fiscal e por aí vai – utilizei anúncios pagos apenas entre 2020 e 2021 (cerca de R$ 2 mil mensais no período + 20% de comissão por venda para a agência que cuidava dos anúncios), porém, são raros os casos desses gurus de marketing que vendem de forma orgânica (a maioria deles investe rios de dinheiro em anúncios, o que significa que podem até faturar milhões, mas também gastam outros milhões, ou seja…).
E, ainda sobre o R$ 1 milhão faturado de 2017 para cá, se você divide o montante pelo número de meses, verá que o Faturamento será pouco mais de R$ 12 mil mensais, um ótimo valor – e honestamente alcançável – que, somado com minhas outras fontes de renda, me dá uma vida até certo ponto confortável, mas que não significa que fiquei rico vendendo cursos ou que tenho R$ 1 milhão na conta.
6.
Ainda pretendo escrever sobre diversificação, sobre como criadores precisam ter diferentes fontes de renda, mas aqui vai esse pensamento de forma simplificada e ilustrada – cortesia do Tiago (Tira do Papel).
A pizza acima (retirada das Guias para Monetizar o seu Projeto do Tiago) representa os meus ganhos no fim de 2017 após o lançamento do curso de LinkedIn – na época eu ainda oferecia os serviços de redator e ghostwriter freelancer.
A pizza abaixo representa os meus ganhos em 2022 após ter diversificado minhas frentes de atuação – está um pouco diferente hoje em dia porque tenho feito poucas publis e treinamentos in company.
Meu objetivo ao trazer Números & Narrativas é falar um pouco do óbvio de que, sim, tá cheio de charlatão por aí, a cara dessa turma nem arde na hora de criar historinha pra vender curso, porém, isso não pode deixar que nós, criadores, deixemos de explorar uma fonte de renda promissora e honesta por conta disso.
Eu aposto que tá cheio de gente por aí que gostaria de aprender com você, que vê valor no seu trabalho, que te enxerga como referência – e não há problema algum em você empacotar o seu conhecimento e vender pra essa galera. O problema, e aí é a minha opinião, não está em vender cursos: o problema está no método. Dá para ter uma renda legal e honesta sem ser o Guru Vendedor de Curso – e é isso, meus amigos, é exatamente isso que eu ensino na Mentoria Monetize e no curso Faça (Você Mesmo).
💰 Mentoria Monetize
Olha a ironia: estou com cinco vagas abertas para a Monetize, uma mentoria para você realizar os seus sonhos.
A Mentoria Monetize é para quem tem um projeto (ou uma ideia de projeto) e busca monetizar o seu conhecimento/conteúdo.
Se você é familiarizado com o meu trabalho, já deve ter percebido que não tolero bullshitagem, de modo que durante a Mentoria buscaremos, juntos, formas realistas para você ganhar dinheiro na internet sem precisar romper com os seus valores pessoais.
Durante 6 meses você terá acesso ao meu cérebro; e às estratégias que utilizo e/ou já utilizei para vender o meu conhecimento/conteúdo na internet.
Mais que isso: durante 6 meses você verá que existe espaço para todo mundo, que seu nicho não está saturado, que você não precisa ser influenciador para ganhar dinheiro na internet, que você não precisa fazer o que todo mundo está fazendo e, principalmente, que existe vida online além do Tik Tok e do Instagram.
E, se você me permite um clichê, durante 6 meses vou te ajudar a pensar fora da caixa.
💰 A Mentoria Monetize na prática
6 encontros online de 1h30min cada (1 por mês durante 6 meses; você pode escolher as datas e os horários de acordo com a minha agenda – que é bem flexível);
Acesso às gravações dos encontros por 12 meses;
Suporte individual via WhatsApp;
Curadoria de links, livros e ferramentas;
Menção ao seu projeto na minha newsletter;
Não é “gatilho da escassez“, mas são apenas 5 vagas (dessa forma consigo oferecer um serviço ainda mais personalizado para você).
👨🎓 Cursos com inscrições abertas
💌 Newsletter de Sucesso
– Neste novo curso da Passageiro Academy, descubra como chegar aos 1.000 assinantes e superar o desafio das 21 edições, criando um projeto consistente e de sucesso no mercado. (infos aqui)
✍️ Escrita Criativa
– Desenvolva seu processo criativo e rompa bloqueios mentais – sem o auxílio de inteligência artificial. (infos aqui)
🎒 Escrita de Viagem
– Faça seus leitores viajarem com você. (infos aqui)
🏴☠️ Faça (Você Mesmo)
– Monetize o seu conhecimento e crie um negócio sustentável de uma pessoa só; e sem surtar. (infos aqui)
✍️ Notas de rodapé
Você sabia que a newsletter tem uma playlist com todas as músicas indicadas aqui? Ela é atualizada semanalmente.
Roubei essa estrutura de O Dia Mastroianni, de J.P. Cuenca. No original: Dia Mastroianni [Exp. Adj.]; Segundo o panléxico, é denominado “Mastroianni” (de Marcello, at. It., 1924-1996) o dia gasto em pândegas excursões a flanar na companhia de belas raparigas, à brisa das circunstâncias e alheio a qualquer casuística. Para o “Dia Mastroianni” clássico, faz-se mister o uso de terno, óculos escuros e, preferencialmente, chapéus. Alguns lexicógrafos ainda incluem em suas definições o compulsivo autopanegírico, a ingestão de dry martini e/ou gim-tôníca, apostas em corridas de cavalos, ligeiras crises metafísicas e a presença em rodas e festas para as quais não se foi previamente invitado.






